Stellantis teve alta de 14% na receita global no primeiro trimestre

    [Fonte: Automotive Business]

    Apesar de faturar € 37 bilhões, grupo teve produção 11% menor devido à crise dos semicondutores; América do Sul cresceu 31%

    O grupo Stellantis anunciou na quarta-feira, 5, que obteve crescimento expressivo na receita global durante o primeiro trimestre do ano. Foram contabilizados € 34,3 bilhões no período – ou € 37 bilhões no cálculo ajustado (base pró-forma) – o que equivale a uma alta de 14% na comparação com o resultado combinado dos grupos FCA e PSA nos três primeiros meses do ano passado.

    Ainda de acordo com o comunicado da empresa, foram vendidas 1,47 milhão de unidades (ou 1,56 milhão na base pró-forma, que leva em conta o resultado integral do trimestre, apesar de a fusão que deu origem à Stellantis ter sido oficializada em 16 de janeiro), o que corresponde a um aumento de 11%. Somados, os resultados de cada marca permitiram ao grupo liderar os mercados na Europa e na América do Sul, detendo participações de 23,6% e 22,2%, respectivamente. A empresa não revelou, porém, se obteve lucro no período.

    “Em nosso primeiro trimestre desde a fusão, a Stellantis registrou fortes receitas no período, com o portfólio diversificado de marcas gerando volumes maiores, preços positivos e mix de produtos ampliado, apesar dos ventos contrários decorrentes da crise global de semicondutores”, disse Richard Palmer, diretor financeiro global da Stellantis.

    A crise, porém, teve um impacto muito claro no resultado da empresa: devido à falta de semicondutores, o grupo deixou de fabricar no primeiro trimestre um total de 190 mil unidades, o que representa uma redução de 11% na sua produção mundial programada, devido à escassez de itens eletrônicos na indústria automotiva. “Esperamos que a escassez melhore no segundo semestre, mas claramente acredito que seria ingênuo esperar que ela simplesmente desapareça”, disse Palmer. “É possível que se estenda até 2022.” Nesse sentido, o grupo já espera que o segundo trimestre seja pior que o primeiro.

    Assim como a Stellantis, a Ford anunciou na semana passada que também está sofrendo os efeitos da crise no fornecimento de processadores na sua produção mundial. A montadora reportou que o problema deve reduzir suas vendas globais em mais de 1 milhão de veículos neste ano.

    E nada indica que esse desabastecimento será resolvido até o fim do ano. Ao contrário: O CEO da Intel, um dos maiores fabricantes de processadores do mundo, previu que a escassez no setor ainda deve durar “mais alguns anos”.

    DESTAQUE NA AMÉRICA DO SUL

    As marcas da Stellantis se destacaram nos mercados da América do Sul, onde também garantiram a liderança ao grupo, com 189 mil veículos vendidos – o que corresponde a uma alta de 49% em relação aos números combinados no mesmo período de 2020. A empresa explica que esse desempenho se deveu ao ótimo desempenho da picape Fiat Strada e também ao fato de a base de comparação ter sido prejudicada pela retração no início do ano passado, entre outros fatores. As receitas operacionais avançaram 31% na região, passando para € 2,1 bilhões, graças aos volumes maiores, portfólio mais diversificado de veículos e preço líquido positivo, o que ajudou a compensar os efeitos negativos da forte valorização do dólar, principalmente no Brasil.

    O grupo Stellantis ainda confirmou que as projeções para este ano estão mantidas, com expansão de 8% na América do Norte, de 20% na América do Sul, e de 10% na Europa Ampliada (que inclui países do Leste Europeu). Oriente Médio e África devem registrar evolução de 15%, enquanto Índia e a região Ásia-Pacífico vão crescer 10%. Por fim, a China terá crescimento de 5%. A margem operacional deve ficar entre 5,5% e 7%, segundo a estimativa, dependendo de como a pandemia de Covid-19 será controlada.