Financiamento para compra de carros cresce 44% em junho, segundo Banco Central

    [Fonte: Extra]

    O setor automotivo iniciou uma ligeira recuperação depois de meses de paralisação na pandemia. Os financiamentos de veículos, embora com saldo praticamente estável, apresentaram um crescimento expressivo nas concessões do mês de junho, de 44,8%. Os dados são do Banco Central (BC). Para especialistas do setor, a melhoria na oferta de crédito tem contribuído para uma recuperação ainda que tímida das operações.

    Foram R$ 9,061 milhões em novas operações de crédito contratadas por pessoas físicas para a aquisição de veículos em junho, contra R$ 6,259 milhões no mês de maio.

    As entidades que representam o setor automotivo também sentiram os sinais de retomada do mercado. De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a produção em julho chegou a 170.300 unidades, alta de 73% sobre junho, mas ainda 36,2% inferior ao mesmo mês do ano passado.

    Apesar da elevação, foi o pior julho desde 2003 para o setor. Os emplacamentos de autoveículos (174.500) cresceram 31,4% sobre junho, mas caíram 28,4% em relação a julho de 2019, pior volume desde 2006.

    Nas mesmas comparações, as exportações subiram 49,7% e recuaram 30,8%. No resultado acumulado do ano, a queda mais dramática foi na produção (48,3%), a mais baixa deste século, seguida pelas exportações (43,7%) e pelos licenciamentos (36,6%).

    Para Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, o cenário ainda é de cautela:

    — O ritmo de vendas diário foi apenas 20% superior ao de junho, o que demanda cautela na análise de como será a recuperação no segundo semestre. Ainda temos uma pandemia que não deu trégua, com casos crescentes de Covid-19 em estados importantes do país. É como se estivéssemos numa estrada sinuosa e com forte neblina, com grande dificuldade de enxergar o horizonte com clareza — avalia Moraes.

    Reação dos bancos

    Os bancos também notaram melhora no volume de financiamentos de automóveis em junho. O Bradesco, por exemplo, registrou aumentos de 47,2% no número de contratos naquele mês, em comparação a maio, e de 47% no volume de operações. O Santander informou que o volume de financiamentos para compra de veículos vem crescendo desde junho, e que, em julho, já alcançou um patamar próximo do mesmo mês do ano passado.

    — O mês de abril foi o mais difícil, o de maio também, mas desde então o mercado vem se recuperando mês a mês. Isso foi influenciado pela retomada de uma decisão de compra que havia sido adiada nos primeiros meses de pandemia. Além disso, os próprios bancos de alguma forma estão mantendo o crédito, mesmo num momento de muita dúvida se vai haver inadimplência ou não, o que é bom para o mercado — explica André Novaes, diretor da Santander Financiamentos.

    Mercado de usados

    A compra de veículos usados apresentou crescimento de 53,07% em julho, na comparação com o mês anterior, considerando as operações envolvendo automóveis, caminhões, ônibus e motocicletas. As operações totalizaram 1.139.805 unidades, contra 744.642 em junho, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

    A melhoria da oferta de crédito contribuiu para o resultado, diz o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Jr.

    — O mercado está se ajustando, tanto para veículos novos quanto para usados. Um fator que também contribuiu para o resultado foi a melhora na oferta de crédito, para veículos usados — explicou.

    Apesar do resultado positivo, os números ainda apontam retração de 14,42% na comparação com julho de 2019. Entre janeiro e julho de 2020, o mercado de veículos usados apresentou queda de 30,81% sobre o mesmo período do ano passado.

    As transferências de automóveis e comerciais leves usados apresentaram alta 52,6% em julho, na comparação com o mês anterior. Na comparação com julho de 2019, houve queda de 17,29%. No acumulado de 2020, a retração foi de 31,81% sobre o mesmo período de 2019.

    Para os revendedores de usados

    Segundo dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), a entidade que reúne lojistas e agências de seminovos, o segmento mais do que dobrou em julho. Mais de 1,14 milhão de unidades foram comercializadas no mês passado.

    O setor foi puxado pelos carros com mais de 9 anos de uso. Os chamados usados maduros (9 a 12 anos) movimentaram 278.838 negócios em julho, alta de 73%. Já os conhecidos como velhinhos — com mais de 12 anos de fabricação — resultaram em 325.768 unidades vendidas, um crescimento de 70%.

    No segmento de usados jovens (de 4 e 8 anos de uso) o aumento nas vendas foi de 42,6%, com 379.512 unidades. Entre os seminovos (até 3 anos), a alta foi de 17,6%, graças às 159.608 transações registradas em julho.

    No acumulado do ano, o setor de carros seminovos e usados já soma mais de 5,68 milhões de unidades. O número ainda é 30,5% menor em relação ao desempenho dos sete primeiros meses de 2019, devido aos efeitos da pandemia do novo coronavírus.

    Taxa média de juros de 19% ao ano

    De acordo com o BC, a taxa média de juros das operações de crédito para a aquisição de veículos, em junho de 2020, era de 19% ao ano. O percentual é mais baixo do que a taxa média de juros para pessoa física, por exemplo, que foi de 25% ao ano naquele mês.

    No Itaú Unibanco, o financiamento para a compra de veículos tem juros de 14,74% ao ano. No Banco do Brasil, a taxa anual para esta modalidade é de 15,12%. No Bradesco, é de 16,46% ao ano, enquanto no Santander os juros anuais são de 17,89%. Na Caixa Econômica Federal, a cobrança é de 19,16% ao ano. Os dados são do Banco Central, do período de 20 a 24 de julho de 2020.

    O Bradesco informou que cobra atualmente a tarifa a partir de 0,81% ao mês (9,72% ao ano). No Santander, a taxa atual é a partir de 0,59% ao mês (7,08% ao ano). Já o Banco do Brasil informou que as taxas para financiamento de veículos praticadas iniciam-se em 0,48% ao mês (5,76% ao ano) e variam de acordo com o perfil do cliente e prazo do financiamento. Na Caixa, a taxa média de juros cobrada atualmente para essa modalidade é de 1,47% ao mês (17,64% ao ano). Os demais bancos não responderam, até o fechamento dessa reportagem.