Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën poderão compartilhar concessionárias no Brasil

    [Fonte: Auto Esporte]

    Presidente da Stellantis para a América do Sul a detalha os planos de integração das marcas e afirma que crise de abastecimento não afetará os próximos lançamentos

    Desde janeiro deste ano, o executivo Antonio Filosa tem um grande desafio em mãos: após liderar a então FCA na América Latina por três anos, ele foi nomeado presidente da Stellantis para a América do Sul com a missão de integrar as operações de Fiat Chrysler e PSA e comandar o conglomerado que nasceu como a quarta maior montadora do planeta — reunindo 16 marcas, como Fiat, Jeep, Peugeot, Citröen, Alfa Romeo e Opel.

    Em sua primeira entrevista coletiva com o novo cargo, Filosa não escondeu a satisfação com os resultados positivos das marcas que estavam sob seu comando desde 2018: em abril, seis dos 10 carros mais vendidos do Brasil são produzidos pela antiga FCA.

    Líder no ranking geral de vendas, a Fiat Strada caminha a passos largos para se tornar o veículo mais vendido do país em 2021 — e ainda contará com a chegada do câmbio CVT para até o final deste ano. “A Strada é um pilar estratégico e sempre terá algo novo a cada ano, para estar sempre viva. A pandemia criou problemas graves de negócio, mas não mudou os rumos estratégicos”, disse Filosa na coletiva.

    A Strada chegou a ser o carro mais vendido do país — Foto: Fábio Aro / Autoesporte

    A Strada chegou a ser o carro mais vendido do país — Foto: Fábio Aro / Autoesporte

    Mas se a Fiat e a Jeep contam com um bom momento no país — incluindo os investimentos que culminaram no desenvolvimento da nova linha de motores turbo na fábrica de Betim (MG) e o anúncio do novo SUV da Fiat — a Stellantis também tem planos de recuperar o mercado das marcas que faziam parte do antigo grupo PSA.

    “Peugeot e Citröen têm muito futuro no Brasil e queremos investir neste futuro”, afirmou o presidente da Stelantis. Apesar de considerar o mercado brasileiro complexo, Filosa considera que o surgimento do novo conglomerado poderá contribuir em capilaridade pelo território nacional — com a possibilidade, inclusive, das concessionárias mais afastadas dos grandes centros urbanos compartilharem as diferentes marcas do grupo.

    Se há a expectativa para que Peugeot e Citröen recuperem sua participação no mercado nos próximos anos, a Stellantis ainda é precavida na hora de projetar a chegada de novas marcas do conglomerado para o país, como Alfa Romeo e Opel.

    Linha de montagem do Fiat Mobi em Betim (MG) — Foto: Divulgação

    Linha de montagem do Fiat Mobi em Betim (MG) — Foto: Divulgação

    Crise de componentes não será resolvida em curto prazo

    Apesar dos resultados positivos nos últimos meses, Filosa considera que a indústria automotiva ainda vive um momento delicado por conta da crise de abastecimento de componentes eletrônicos e os próximos meses ainda serão de grande dificuldade. “O próximo trimestre, que vai de abril a junho, será o mais difícil de todos, mas estamos tentando trabalhar para minimizar os impactos negativos.”

    Para o presidente da Stellantis, a escassez será sentida ao menos até o final deste ano, e será necessário realizar um trabalho de gerenciamento para minimizar as perdas financeiras

    Ainda assim, a expectativa é que o volume de produções e de negócios se recuperem a partir de 2022, principalmente por conta do aumento pela procura de carros novos e usados.