DF registra menor número de mortes no trânsito dos últimos 20 anos, diz Detran

    [Fonte: G1]

    De janeiro a agosto, 107 pessoas morreram nas vias da capital. Apesar da queda, total de acidentes voltou a crescer após flexibilização das regras de distanciamento social.

    O Distrito Federal registrou 107 mortes no trânsito em 2020, o menor número dos últimos 20 anos. O levantamento é do Departamento de Trânsito (Detran-DF), que avalia acidentes que aconteceram entre janeiro e agosto deste ano. No mesmo período de 2019, 175 pessoas perderam a vida nas vias da capital. A redução, portanto, é de 39% no total de vítimas.

    A queda no número de óbitos está associada diretamente à redução do fluxo de veículos, imposta pela pandemia do novo coronavírus. Entretanto, a retomada das atividades suspensas provocou a volta da circulação das pessoas, aumentando a quantidade de acidentes nas ruas.

    Apesar da redução de casos no acumulado do ano, em agosto, o número de vítimas voltou a crescer.

    Em março, quando o governo do DF determinou a suspensão das atividades não essenciais devido à pandemia de Covid-19, a capital registrou 8 mortes no trânsito. Cinco meses depois, após diversas flexibilizações das medidas de restrição, o Detran registrou a morte de 15 pessoas – que corresponde ao aumento de 87,5% no total de óbitos.

    Mais carros na rua

    Uma Pesquisa da Companhia de Planejamento (Codeplan) mostra o aumento do tráfego na capital durante o período.

    No fim de março, com as atividades interrompidas, cerca de 2 milhões de veículos circulavam semanalmente e em dias úteis no Distrito Federal. Em 30 de agosto, o total saltou para aproximadamente 3,5 milhões. Antes da pandemia, o número de transportes nas ruas, semanalmente e em dias úteis, era de 4 milhões.

    Motociclistas

    Devido à pandemia, o perfil de vítimas do trânsito da capital mudou. De acordo com o levantamento do Detran, nos últimos 20 anos, os pedestres eram a maioria das pessoas que perderam a vida em acidentes. Entretanto, em 2020, os motociclistas passaram a ocupar o topo do ranking.

    • Motociclistas: 34
    • Pedestres: 31
    • Demais condutores: 23
    • Passageiros: 14
    • Ciclistas: 5

    O especialista em transportes e mobilidade urbana da Universidade de Brasília (UnB), pastor Willy Gonzales Taco, explica que, durante a pandemia, houve um aumento significativo de motociclistas nas vias da capital, principalmente devido ao serviço de entrega em domicílio. Dados do Detran mostram que a frota desses motos cresceu de 215.260, em março, para 217.993, em agosto.

    “Foi uma fonte de renda que surgiu. Muitas pessoas estavam sem emprego, e viram isso como uma oportunidade de trabalho. Portanto, acabaram adquirindo bicicletas ou motocicletas, fazendo com que o número desses veículos aumentasse.”

    De acordo com o estudioso, com a retomada das atividades, os motociclistas mantiveram o ritmo e continuaram no mercado. “Durante a quarentena, esses veículos operavam nas ruas de forma livre. Agora, eles têm obstáculos, que são os carros”, frisou.

    Mortes de motociclistas têm aumentado no trânsito do DF
    O presidente do Sindicato dos Motociclistas Profissionais do DF, Luiz Carlos Garcia Galvão, reforça que devido à taxa de desemprego, muitos migraram de profissão. “Os trabalhadores, em busca de sobrevivência, passaram a exercer nossa função. E, como a demanda foi muito grande, houve esse crescimento”, destacou.

    De acordo com Luiz, o trabalho informal é um dos principais problemas da categoria. “Há muitos motociclistas trabalhando sem registro e autorização. Com isso, acidentes se tornam mais comuns. É um retrocesso muito grande, porque a gente sempre brigou para ser reconhecido como profissional”, disse.

    Em 2009, o governo federal sancionou a Lei nº 12.009, de 29 de julho, que regulamenta a atividade de motociclistas. De acordo com a norma, uma série de critérios devem ser seguidos, como ter curso específico, ser maior de 21 anos e fazer vistorias regulares no veículo. Porém, segundo Luiz, a norma é descumprida.

    “O ideal é que os trabalhadores se qualifiquem antes, até mesmo para evitar acidentes.”

    Educação

    O pesquisador da UnB Willy Gonzales Taco considera que a pandemia apresentou a oportunidade de mostrar que, reduzindo o fluxo de veículos, há queda do número de acidentes.

    “Por outro lado, podemos observar que a severidade dos acidentes não diminuíram. Isso mostra que o comportamento das pessoas não mudou e continuam cometendo os mesmos erros, como a alta velocidade e o desrespeito à sinalização.”

    De acordo com o especialista, campanhas educativas são essenciais para mudar as estatísticas. “O ideal é que sejam implementadas ações para manter os valores no patamar da pandemia. Esse material já deveria estar circulando, de forma preventiva”, disse.

    Blitz do Detran e da Polícia Militar no Recanto das Emas, no DF — Foto: Tony Winston/Agência Brasília

    Blitz do Detran e da Polícia Militar no Recanto das Emas, no DF — Foto: Tony Winston/Agência Brasília

    O diretor-geral do Detran, Zélio Maia, ressalta que as mortes no trânsito do Distrito Federal demonstram queda nos anos anteriores e, como o período da pandemia ainda é “nebuloso” e, ainda não é possível fazer avaliações. Entretanto, de acordo com Maia, campanhas educativas serão implementadas nos próximos meses para a redução da incidência de acidentes.

    “A partir da primeira quinzena do próximo mês, vamos iniciar uma campanha com foco em pedestres. Em seguida, serão os ciclistas e, posteriormente, os motociclistas. Vamos fazer um planejamento sequenciado”, destacou Zélio.

    Sobre o aumento de acidentes com os motociclistas, o diretor-geral reconhece que é uma questão sensível na capital. “Também notamos a maior presença de ciclistas, e, por isso, eles serão um dos nossos focos das campanhas”, afirmou. De acordo com Zélio, a educação no trânsito é uma das melhores saídas para que ocorra a redução das vítimas.