Compras de carros de luxo devem movimentar US$ 3,7 bilhões em 2019

    [Fonte: Automotive Business]

    Veículos premium representam metade dos gastos com bens de alto valor 

    Os chamados veículos premium respondem por apenas 2% das vendas da indústria automobilística local, mas as compras de carros de luxo devem movimentar até o fim do ano no Brasil algo como US$ 3,7 bilhões, ou metade dos US$ 7,4 bilhões que a reduzida parcela rica da população brasileira deverá gastar com a aquisição de bens de alto padrão, valor que cresce 4% sobre 2018. O restante do dinheiro será usado em hotéis, joias, relógios de pulso, óculos, canetas, bebidas, eletrônicos, cosméticos e bolsas.

    Os dados são de uma pesquisa encomendada pela Audi como forma de entender como o novo utilitário esportivo Q8 se insere dentro desse nicho. O estudo mostra que o País tem 4 milhões de consumidores de produtos de luxo. Eles equivalem a 1,9% da população e têm patrimônio acima de R$ 400 mil.

    “A Audi quer falar a linguagem daqueles que buscam o novo luxo, às vezes sem mostrar a marca ou com produtos personalizados”, afirma o diretor de marketing e comunicação da fabricante alemã, Cláudio Rawicz.

    O levantamento mostra também que o Brasil ocupa o décimo lugar entre os países que mais compram produtos de luxo. O ranking é liderado pelos Estados Unidos, que consumiram US$ 71 bilhões em artigos desse tipo. Em todo o mundo esse mercado movimenta por ano US$ 1 trilhão. E a participação mundial dos carros de luxo nesse bolo também é de 50%, ou seja, US$ 500 bilhões.

    “Um dos desafios desse mercado no País é a alta tributação, um produto de US$ 1 mil (FOB) pode chegar a US$ 2,3 mil”, revela Rawicz.

    Um exemplo da pesquisa é a Ferrari 488 GTB 2019, que nos Estados Unidos sai por US$ 256,5 mil, ou R$ 949 mil. Aqui no Brasil o modelo custa R$ 2,77 milhões, o equivalente a US$ 730 mil.

    Outro problema está nos juros dos cartões de crédito, que chegam a quase 300% ao ano. E 60% dos consumidores pesquisados revelam que conhecem alguém que se endividou por ter comprado algum item de luxo.

    Tem mais: brasileiro adora produtos fajutos. De acordo com os pesquisados, 61% já compraram itens de luxo falsificados. Entre as desculpas para adquirir a imitação houve até quem respondesse que não encontrou o original para comprar. Em todo o mundo, estima-se que as falsificações gerem um impacto negativo anual de US$ 80 bilhões às marcas originais.

    A pesquisa realizada também revelou que 40% dos compradores de artigos de luxo têm entre 26 e 35 anos e outros 24% estão na faixa dos 36 aos 45. Eles se concentram nas Regiões Sul e Sudeste. As mulheres são maioria entre os compradores desses produtos, 63%.