Como a parada na produção e a saída de fabricantes afeta o mercado automotivo?

    [Fonte: IG]

    No ritmo que está a vacinação no Brasil, não há esperança de retomada do mercado de novos antes de meados de 2022

    Infelizmente, esse era um caminho que parecia provável. De acordo com dados da Fenabrave , o primeiro trimestre deste ano teve desempenho em vendas de veículos zero-quilômetro bastante reduzido, totalizando 527,9 mil unidades licenciadas – o que representa queda de 5,4% em relação aos mesmos meses do ano anterior.

    A grande questão não é a comparação direta entre os períodos, mas quanto o mercado reduziu com relação ao último trimestre de 2020: uma queda de 23% no volume de vendas . Isso freou a recuperação do mercado que ocorria desde a metade do ano passado.

    Se colocarmos na balança o alto custo para produzir um carro no Brasil versus quanto se está vendendo com o avanço da pandemia no país, veremos cada vez mais outras montadoras saindo do país, em especial as de veículos de luxo, que sofrem diretamente com o aumento do custo de produção devido à alta do dólar.

    Conforme as fabricantes vão deixando de produzir no país, o mercado fica cada vez mais reduzido, e vão se criando nichos. Se há alguns anos comprar um carro novo era difícil, porém um sonho que poderia se realizar nos modelos populares que ficavam na casa dos R$ 30 mil, atualmente a mesma categoria de veículos se aproxima dos R$ 50 mil, o que acarreta um novo movimento no mercado .

    Seminovos continuam em alta na pandemia

    Vendas de carros usados continuam aquecidas com a falta de alguns modelos novos nas lojas e com preços nas alturas

    Essa alta nos preços faz com que até quem antes só comprava veículos zero-quilômetro migrasse para os usados . Trazendo o mesmo estudo que citei anteriormente da Fenabrave, em fevereiro deste ano o mercado de usados cresceu 15,1% quando comparado ao mesmo mês do ano passado.

    Não há grandes saídas: a escolha consciente para o consumidor hoje é partir para os seminovos e esperar o Brasil voltar a um cenário de normalidade para entender quanto tempo demoraremos para ter um mercado de carros novos em alta novamente.

    Ao passo que o mercado de novos está em queda , o de usados e seminovos está aquecido. Esse cenário deverá se manter até a produção de veículos ser normalizada e a insegurança causada pelo coronavírus passar, bem como as contratações serem retomadas e a taxa de desemprego melhorar.

    Outro fator a se colocar na balança é a questão da concorrência. A falta de players no mercado entrega a quem tem o produto a possiblidade de ofertá-lo pelo preço que quer e não se preocupar tanto em ter o mais competitivo para vencer um rival.

    Na categoria dita como “de entrada”, vivemos décadas com uma disputa de quatro grandes representantes: Volkswagen , Ford , Chevrolet e Fiat . A Renault remava pelas beiradas e nos últimos 10 anos a Hyundai conquistou o mercado das grandes.

    A gama de veículos com preços semelhantes era benéfica ao consumidor, que podia escolher a melhor opção entre X fatores que lhe eram importantes. Com a saída da Ford , o Ka deixou de ser produzido, recentemente a Volkswagen anunciou que o Up! também deixará de ser vendido aqui. Veja só: a concorrência diminuiu, a produção diminuiu e os preços subiram. O prejudicado nessa equação é o consumidor.

    Sendo pragmático, se pensarmos no ritmo de vacinação atual no Brasil, que desde o início do ano cobriu um pouco mais de 10% da população, e em como outros países estão voltando às atividades normais aos poucos após a imunização , não consigo prever um reaquecimento desse mercado antes do segundo trimestre de 2022.